Áudio de interceptação telefônica (04/03/2016): Lula conversa com Dilma Rousseff e com Jaques Wagner após a condução coercitiva (cópia EBC, 'áudio 8')
Do que se trata
Gravação de interceptação telefônica com Luiz Inácio Lula da Silva, a então presidente Dilma Rousseff e o então ministro Jaques Wagner, em cópia publicada pela EBC em março de 2016. Rótulo da EBC: 'Creative Commons - CC BY 3.0 - Lava Jato - áudio 8 - Lula e Dilma'. Segundo a EBC, Lula fala sobre o depoimento prestado à PF no Aeroporto de Congonhas após a condução coercitiva e, na mesma ligação, conversa com Jaques Wagner. Duração: 9 min 23 s. Trecho da conversa com Dilma Rousseff transcrito na decisão liminar do STF no MS 34.070 (18/03/2016), p. 30 ('No dia 4.3, às 13h02, Luiz Inácio Lula da Silva se diz assustado com a “República de Curitiba” [...]') — documento 'delacoes-stf-ms-34070-liminar-2016-03-18'.
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Transcrição automática (não oficial): Transcrição automática feita com whisper.cpp 1.9.5 (modelo ggml-medium) em 20/10/2026, sem revisão humana ou oficial. O áudio é telefônico e de baixa qualidade, e o reconhecimento comete erros (inclusive em nomes próprios). Use como guia de escuta, não como citação.
- Ela quer falar com o Lula, que está na sede nacional.
- Alô?
- Morais?
- Coisão.
- Você está com o presidente?
- Ah, vou te passar por um minuto e uma, tá?
- Só um minuto e um.
- Peraí, vamos aqui.
- O presidente já vai falar?
- Vai.
- Então, peraí.
- Deixa eu passar pra ele.
- Só um minuto, por favor.
- Tá.
- Só um minuto e um, por favor.
- Tá bom.
- Alô.
- Alô.
- Presidente, só um minutinho, por favor.
- Um beijo pro senhor, viu?
- Pudro.
- Tchau.
- Alô? Alô?
- Presente, só um minutinho, por favor. Um beijo para o senhor, viu?
- Pudro. Tchau.
- Alô? Alô?
- Quem não, morais?
- Alô?
- Quem não, borais?
- Alô?
- Alô, minha filha? Alô?
- Alô!
- Oi, Lula.
- Tudo bem?
- Não, tô achando tudo bem, não.
- Mas faz parte, querida?
- Faz parte, eu digo.
- Ah, faz parte, viu?
- Faz parte, querida.
- Tá bom. E como é que você tá?
- Eu falei com a Marisa agora, eles já foram embora de casa, já foram embora da casa
- do Sábio, já foram embora da casa do Santo, eu só não consegui falar com o Marcos.
- As perguntas, se os canais já tivessem mandado um ofício, queria prestar depoimento, eu
- já fui três vezes à Brasília prestar depoimento.
- Eu acho que o Moro quis fazer o espetáculo antes da decisão daquele negócio que tá
- o Supremo para decidir, a gente tentava ser contra, ao favor, mas ele precisava fazer
- um espetáculo de pirotequia. As perguntas foram as mesmas que eu já respondi ao Ministério
- Público, a dois delegados da Polícia Federal. Nos meus filhos, eles levaram os mesmos documentos
- que eu já tinha levado quando fizeram a invasão na casa do meu filho. O único lugar que houve
- um pouco, foram na casa do Paulo Camouto, eu não conversei com o Paulo, foram na casa
- da Clara antes, sabe, a Clara estava dormindo sozinha quando entrou cinco homens lá dentro,
- ela pensou que era um presidente de Deus e era polita federal, sabe, então, então,
- então é isso, eu acho que foi um espetáculo de pirotequimia, a tese deles, a tese deles
- é de que tudo o que está acontecendo foi uma quadrilha montada em 2003 e que, portanto,
- sabe, ela perdura até hoje, sabe, e dentro do palácio, quer dizer, é a tédia deles,
- sabe, é a tédia deles, então eles não precisam de explicação. Como a teoria do domínio
- do fato não precisava de explicação, o crime estava dado, agora a imprensa diz que
- é criminoso e eles colocam em prática.
- Quer dizer, eu, eu assim, então eu tô dizendo aqui pro PT, Dilma, que não tem mais trégua,
- não tem que ficar acreditando na luta jurídica, ou seja, nós temos que aproveitar a nossa
- militância e ir pra rua, é ver, eu, eu sinceramente, eu que tô querendo me aposentar, eu vou antecipar
- a minha campanha pra 2018, eu vou acertar de viajar esse país a partir da semana que
- vem, sabe? E quero ver o que que vai acontecer. Sabe? Eu, lamentavelmente, vou ser infalida.
- Eu não vou ficar em casa parado. O senhor não acha estranho aquela história de quinta-feira?
- Ah, isto é antecipar... Eu acho estranho a liberação do filho, a declaração do
- filho, a isto é antecipar, eu acho, Dilma, alguma coisa...
- E logo no seguinte, na sexta-feira o senhor vai ser chamado?
- É o espetáculo, sabe, é o espetáculo de pirotequnia sem precedentes, querida.
- É o seguinte, eles estão convencidos que com a imprensa chefiando, sabe, qualquer processo
- investigatório, eles conseguem refundar a república.
- É isso aí.
- Temos uma Suprema Corte totalmente acovardada.
- Nós temos um Super-outro Brasileiro de Chica totalmente acovardado.
- Um parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos aqui, o PT e o PC do bem
- começaram a acordar e começaram a brigar, sabe?
- Nós temos um presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido, não sei quanto
- parlamentar ameaçado, sabe, e fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre
- que vai todo mundo se salvar. Eu, sinceramente, eu tô assustado é com a república de Curitiba.
- É porque a partir de um juiz da primeira instância tudo pode acontecer nesse país.
- Tudo pode acontecer. Então era tudo igual ao que sempre foi? É a mesma coisa, a mesma
- coisa. Hoje eles fizeram uma coisa coletiva porque foram na casa do Paulo Carotolai e
- a Tibaia. Eu nem conversei com o Paulo ainda. Foram na casa da Clara. Eu estou pensando
- em pegar todo o acervo, eu não vou tomar decisão, e levar jogar na frente do Ministério Público.
- Eles que ensinam o cu que tomam conta disso. O acervo de quê?
- Eu, diz-me, é 11 containers de tranqueira que eu ganhei quando eu estava na presidência.
- Ah, dá pra eles. Sabe?
- Eu vou fazer a mesma coisa com os meus, viu?
- Sabe, então é o seguinte, hoje nós faríamos conversar pessoalmente porque eu acho que
- nós precisamos mudar alguma coisa nesse país.
- Você não pode.
- Ontem eu disse.
- Onde é que você vai?
- Ontem eu disse o seguinte, a única pessoa, quer dizer, como é que pode um delegado da
- Polícia Federal dar uma declaração contra a mudança de ministro?
- Eu nunca vi isso.
- Eu também nunca vi isso.
- Como é que pode?
- Eu disse para eles, olha, a única pessoa que está falando de autonomia nesse país
- é a Dilma, que foi a única eleita e que não consegue governar por causa do Congresso,
- não consegue governar por causa do Tribunal de Contas, não consegue governar por causa
- do Ministério Público, porra.
- Somente quem está falando de autonomia é a Presidência da República, o resto tudo
- tem.
- E quando é que a gente pode conversar?
- Eu tô, eu tô, eu tô... O nosso companheiro tinha visto a possibilidade de você convocar
- uma conversa quando você quiser, meu moçal, não pode ser amanhã, amanhã, amanhã tá
- muito em cima.
- Tá bom.
- Mas quando você quiser, me dispõe, me dispõe aí, sabe?
- Segunda, segunda.
- Tá.
- Tá?
- Depois, depois eu acerto com o galego, pra mim pode ser.
- Tá bom.
- Ele quer falar contigo.
- Pera lá, tá aqui.
- Tá bom.
- Pera lá.
- Diga, excelência.
- Tudo bem, querido?
- Tudo bem, suportou a inserção de sacos?
- Mas não houve tortura, vocês sofreram mais do que eu, porra.
- Não, foi a mesma pergunta de sempre, Wagner, a mesma coisa de sempre.
- Eu acho que é importante você falar com a Dilma.
- Eu acho que eles quiseram antecipar o pedido nosso que está na Suprema Corte
- e que está na mão da Roda Verber.
- Entendi.
- Sabe, eles estão tentando antecipar.
- que a roda fosse dar, eles estão tentando antecipar tudo isso, porque ela poderia tirar
- isso do Lava Jato, então o Moro fez o espetáculo para comprometer a Suprema Corte.
- Eu acho que não é só isso não, eles estão querendo criar clima, agora só falam de renúncia
- por dia 13. Então bate em você. Eu disse ontem, quando saiu a matéria da estuda, eu
- Amanhã eles vão fazer alguma putaria com Lula.
- Terça-feira o fila da puta da OAB vai botar aqui,
- dizendo que o conselho da OAB acha que nesse caso...
- É uma palhaçada, porque o Deusírio, porra...
- Porque eu não imaginei que era tão canalha.
- Porque, porra, ele fala de passadina, por exemplo,
- essa porra já foi arquivada pela PGR.
- Fala que você mandou isso, mandou aquilo, porra.
- Tem prova de eu tomar no cu, eu não sabia que ele fosse tão escroto.
- Mas vamos lá.
- Mas viu querido, então ela tá falando dessa reunião?
- Ô Wagner, eu queria que você visse agora, falar com ela já que ela tá aí, falar o
- negócio da Rosa Werber.
- Tá bom.
- Que tá na mão dela pra desfibir.
- Falou.
- Se homem não tem saco, quem sabe uma mulher corajosa possa falar sobre o que os homens
- não fizeram.
- Falou.
- Tá bom?
- Combinado.
- Valeu querido.
- Um abraço para o marido dos meninos.
- Tá bom.
- Valeu.
- Tchau querido.
- e aí
Processos citados neste documento 1
Números no padrão do CNJ detectados automaticamente no texto, conferidos pelos dígitos verificadores e consultados na API Pública do DataJud.