Áudio de interceptação telefônica (27/02/2016, segundo a EBC): Lula conversa com o ministro Jaques Wagner sobre o apoio ao governo e uma visita a Brasília

Polícia Federal / 13ª Vara Federal de Curitiba (autos 5006205-98.2016.4.04.7000) — cópia publicada pela EBC27 de fevereiro de 20165006205-98.2016.4.04.7000

Do que se trata

Gravação de interceptação telefônica com Luiz Inácio Lula da Silva e o então ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, em cópia publicada pela EBC em março de 2016. Seção da EBC 'Relação com Dilma e Ministério da Justiça': 'Em uma conversa com Jaques Wagner no dia 27 Lula fala sobre o discurso realizado em que cogita a candidatura para 2018 e explica o apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff naquele momento.' Duração: 6 min 50 s.

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  1. A gente dorme, acorda, cheio de novidades, né?
  2. Pois não.
  3. Morais?
  4. Pois não.
  5. Sulí, bom dia, querido.
  6. Tudo bem?
  7. Sulí, tudo bem.
  8. O ministro Jax quer falar com o ministro.
  9. Jax?
  10. Só um minutinho.
  11. É, só um minutinho.
  12. Peraí.
  13. Alô.
  14. Senhor ministro.
  15. Alô.
  16. Senhor Ministro.
  17. Como vai você?
  18. Tudo bem, senhor Samina.
  19. Por favor.
  20. Tudo bem.
  21. Você já tá com ele?
  22. Alô.
  23. Oi, tudo bem?
  24. Alô.
  25. E essa lua de trovão, o que que é, porra?
  26. Não, quero saber o seguinte.
  27. É porque hoje já tinha marcado uma reunião com os senadores, que nego não tá querendo
  28. adiar até por conta da votação, que urga o negócio da Petrobras.
  29. Aham.
  30. Você, amanhã, orar de almoço pode?
  31. Posso, nossa, de minha jeito eu te ligo.
  32. Tá bom.
  33. Mas eu posso.
  34. Mas se puder orar de almoço, acho melhor.
  35. Como é que terminou o sábado bem, a festa?
  36. Terminou bem, terminou bem, a festa foi boa.
  37. Todo mundo angustiado com o governo?
  38. Não, foi bom.
  39. Eu acho que não tinha aquele mau humor que a empresa falava contra a Dilma, sabe?
  40. Eu falei, ó, tem problemas, tem, o partido não é obrigado a catapultar o que o governo
  41. faz, o governo não é obrigado a atender tudo que o partido quer, sabe?
  42. Mas nós temos que ter em conta que a Dilma é nossa presidenta, e portanto, meu caro,
  43. E ela sabe que nós somos o exército dela.
  44. Não tem que achar um ponto de contato.
  45. É, não tem muito o que ficar, sabe?
  46. Se é que nem a mãe da gente, faz comida, a gente não gosta, mas come.
  47. Ah, caralho.
  48. Não tem?
  49. Até porque você já foi cozinheiro desde a Zé.
  50. Agora eu continuo achando, Wagner,
  51. que tem uma coisa que o pessoal se queixa pra caralho,
  52. que é a porra do diálogo.
  53. Eu não consigo entender mais nada porque eu tô tentando convencer o pessoal, Válvari. Ainda hoje de manhã eu fui fazer ginástica, peguei o pessoal da Diretoria dos Sindicatos do Bernardo, sentei na mesa.
  54. Porque amanhã eles vão fazer uma parada aqui em Somernado do Campo e vão fazer uma caminhada na Via Chieta e para a Via Chieta.
  55. E é contra a previdência, é contra o caralho, contra as demissões, é contra o pré-sal, é contra o caralho da quarta.
  56. Sabe? Aí, porque pra eles tá ficando muito difícil na porta de sala.
  57. Então o que eu disse pra eles é o seguinte, olha companheiros.
  58. Vamos imaginar que a medida provisória do Serra era o bode.
  59. Sabe? O bode da sala colocou uma coisa mais razoável.
  60. Que é garantir que a Petrobras tem a preferência, mas que pode ser negociado, sabe, montando
  61. uma boa diretoria da Petrobras, um bom conselho da Senhora de Política Energética, né,
  62. porque a gente pode garantir.
  63. Porque também ficaria muito ruim se a Petrobras mantém a titularidade e não tem dinheiro
  64. pra fazer nada.
  65. Eu acho que a Dilma poderia conversar agora com a nossa base, criando uma comissão especial,
  66. sabe, para tentar fazer um acordo estratégico com os chineses em cima do pré-sal, porra,
  67. em cima dos 30%.
  68. Tentando dar para os caras um discurso, sabe, de saída, que coloca, como é que fala, aquele
  69. Capilé uma rota de fuga, sabe? Uma rota de fuga, porque o pessoal não tem. Sabe, então
  70. a bancada, por exemplo, a bancada, você conversou com o senador lá em Brasília do Rio?
  71. Conversei. A bancada me diz o seguinte, a gente tinha a maioria, aí o cara começa a
  72. contar nomes, né? A gente tinha a maioria, tá? O fulano ia votar, o fulano ia votar,
  73. o fulano ia votar, sabe? Porque não teve votação, né, feijor? É, pois é, meia de
  74. Lindeberg veio me falar e disse, Lindeberg, você nasceu ontem, hein?
  75. Então, mas aí eu falei, o Lindeberg, ele falou, pô, a gente tinha uma posição do governo,
  76. seis horas teve outra posição e... Não foi posição do governo, pô, Bezuini,
  77. com a informação que a gente tinha perdido à urgência no dia anterior, a orientação
  78. que ela passou só não pode dar o serra.
  79. Não, deixa eu te falar uma coisa, Wagner. Agora, você conhece isso, né?
  80. Deixa eu te falar uma coisa de bom senso.
  81. Raffka, entre eu e você, essa porra.
  82. Entre você.
  83. Logo que foi aquela primeira vez da votação do Zé Serra, você está lembrado?
  84. Sim.
  85. Eu estava num almoço.
  86. Juca, Renan, Sanei, Lobão, eu.
  87. Quando me disseram que o Renan ia votar a posição de Serra,
  88. Na mesa, eu falei, o Renan, pelo amor de Deus, o PMDB não pode embarcar nessa porra.
  89. O PMDB pode até flexibilizar, mas garantindo que a decisão seja da Petrobras.
  90. Então, no fundo, no fundo, o pouco do que eles fizeram foi isso.
  91. Presidente, ainda bem que você tocou no ponto, porque o Renan, publicamente, estava trabalhando por essa posição que acabou saindo.
  92. Aí a gente quer ficar no isolamento porque o Lindbergh acha que é a ganhar.
  93. Mas sabe o que acontece, Vaga? De vez em quando você não briga com fatia por nada?
  94. É.
  95. Não tem hora que...
  96. Mas eu fui na reunião do PT e banquei, viu?
  97. Não tem hora que a gente briga.
  98. Pelo amor de Deus, eu só não acuso essa senhora do que ela não fez. Ela não mudou a posição dela.
  99. Outra coisa é o que o Congresso ia votar.
  100. Deixa eu falar, às vezes a gente não briga em casa com a mulher da gente, e saber por quê?
  101. Aí depois que a gente briga aqui, fica puto, toma dois whisky nervoso.
  102. A gente fica perguntando, por que eu briguei, caralho?
  103. Ah, mas concorda.
  104. Sabe?
  105. Então, ô Wagner, temos que apagar tudo isso, nós temos que...
  106. Então eu tô disposto, querido, se for pra ir amanhã, você me ajuda.
  107. Amanhã.
  108. Eu vejo agora o que eu tenho, desmarco o que eu tenho.
  109. Tá, então fica amanhã.
  110. Tá bom?
  111. Horário do almoço.
  112. Tá bom, querido.
  113. Tá bom, então.
  114. Valeu.
  115. Abraço, meu irmão.
  116. Tchau.

Processos citados neste documento 1

Números no padrão do CNJ detectados automaticamente no texto, conferidos pelos dígitos verificadores e consultados na API Pública do DataJud.

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