Áudio de interceptação telefônica (27/02/2016, segundo a EBC): Lula conversa com o ministro Jaques Wagner sobre o apoio ao governo e uma visita a Brasília
Do que se trata
Gravação de interceptação telefônica com Luiz Inácio Lula da Silva e o então ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, em cópia publicada pela EBC em março de 2016. Seção da EBC 'Relação com Dilma e Ministério da Justiça': 'Em uma conversa com Jaques Wagner no dia 27 Lula fala sobre o discurso realizado em que cogita a candidatura para 2018 e explica o apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff naquele momento.' Duração: 6 min 50 s.
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- A gente dorme, acorda, cheio de novidades, né?
- Pois não.
- Morais?
- Pois não.
- Sulí, bom dia, querido.
- Tudo bem?
- Sulí, tudo bem.
- O ministro Jax quer falar com o ministro.
- Jax?
- Só um minutinho.
- É, só um minutinho.
- Peraí.
- Alô.
- Senhor ministro.
- Alô.
- Senhor Ministro.
- Como vai você?
- Tudo bem, senhor Samina.
- Por favor.
- Tudo bem.
- Você já tá com ele?
- Alô.
- Oi, tudo bem?
- Alô.
- E essa lua de trovão, o que que é, porra?
- Não, quero saber o seguinte.
- É porque hoje já tinha marcado uma reunião com os senadores, que nego não tá querendo
- adiar até por conta da votação, que urga o negócio da Petrobras.
- Aham.
- Você, amanhã, orar de almoço pode?
- Posso, nossa, de minha jeito eu te ligo.
- Tá bom.
- Mas eu posso.
- Mas se puder orar de almoço, acho melhor.
- Como é que terminou o sábado bem, a festa?
- Terminou bem, terminou bem, a festa foi boa.
- Todo mundo angustiado com o governo?
- Não, foi bom.
- Eu acho que não tinha aquele mau humor que a empresa falava contra a Dilma, sabe?
- Eu falei, ó, tem problemas, tem, o partido não é obrigado a catapultar o que o governo
- faz, o governo não é obrigado a atender tudo que o partido quer, sabe?
- Mas nós temos que ter em conta que a Dilma é nossa presidenta, e portanto, meu caro,
- E ela sabe que nós somos o exército dela.
- Não tem que achar um ponto de contato.
- É, não tem muito o que ficar, sabe?
- Se é que nem a mãe da gente, faz comida, a gente não gosta, mas come.
- Ah, caralho.
- Não tem?
- Até porque você já foi cozinheiro desde a Zé.
- Agora eu continuo achando, Wagner,
- que tem uma coisa que o pessoal se queixa pra caralho,
- que é a porra do diálogo.
- Eu não consigo entender mais nada porque eu tô tentando convencer o pessoal, Válvari. Ainda hoje de manhã eu fui fazer ginástica, peguei o pessoal da Diretoria dos Sindicatos do Bernardo, sentei na mesa.
- Porque amanhã eles vão fazer uma parada aqui em Somernado do Campo e vão fazer uma caminhada na Via Chieta e para a Via Chieta.
- E é contra a previdência, é contra o caralho, contra as demissões, é contra o pré-sal, é contra o caralho da quarta.
- Sabe? Aí, porque pra eles tá ficando muito difícil na porta de sala.
- Então o que eu disse pra eles é o seguinte, olha companheiros.
- Vamos imaginar que a medida provisória do Serra era o bode.
- Sabe? O bode da sala colocou uma coisa mais razoável.
- Que é garantir que a Petrobras tem a preferência, mas que pode ser negociado, sabe, montando
- uma boa diretoria da Petrobras, um bom conselho da Senhora de Política Energética, né,
- porque a gente pode garantir.
- Porque também ficaria muito ruim se a Petrobras mantém a titularidade e não tem dinheiro
- pra fazer nada.
- Eu acho que a Dilma poderia conversar agora com a nossa base, criando uma comissão especial,
- sabe, para tentar fazer um acordo estratégico com os chineses em cima do pré-sal, porra,
- em cima dos 30%.
- Tentando dar para os caras um discurso, sabe, de saída, que coloca, como é que fala, aquele
- Capilé uma rota de fuga, sabe? Uma rota de fuga, porque o pessoal não tem. Sabe, então
- a bancada, por exemplo, a bancada, você conversou com o senador lá em Brasília do Rio?
- Conversei. A bancada me diz o seguinte, a gente tinha a maioria, aí o cara começa a
- contar nomes, né? A gente tinha a maioria, tá? O fulano ia votar, o fulano ia votar,
- o fulano ia votar, sabe? Porque não teve votação, né, feijor? É, pois é, meia de
- Lindeberg veio me falar e disse, Lindeberg, você nasceu ontem, hein?
- Então, mas aí eu falei, o Lindeberg, ele falou, pô, a gente tinha uma posição do governo,
- seis horas teve outra posição e... Não foi posição do governo, pô, Bezuini,
- com a informação que a gente tinha perdido à urgência no dia anterior, a orientação
- que ela passou só não pode dar o serra.
- Não, deixa eu te falar uma coisa, Wagner. Agora, você conhece isso, né?
- Deixa eu te falar uma coisa de bom senso.
- Raffka, entre eu e você, essa porra.
- Entre você.
- Logo que foi aquela primeira vez da votação do Zé Serra, você está lembrado?
- Sim.
- Eu estava num almoço.
- Juca, Renan, Sanei, Lobão, eu.
- Quando me disseram que o Renan ia votar a posição de Serra,
- Na mesa, eu falei, o Renan, pelo amor de Deus, o PMDB não pode embarcar nessa porra.
- O PMDB pode até flexibilizar, mas garantindo que a decisão seja da Petrobras.
- Então, no fundo, no fundo, o pouco do que eles fizeram foi isso.
- Presidente, ainda bem que você tocou no ponto, porque o Renan, publicamente, estava trabalhando por essa posição que acabou saindo.
- Aí a gente quer ficar no isolamento porque o Lindbergh acha que é a ganhar.
- Mas sabe o que acontece, Vaga? De vez em quando você não briga com fatia por nada?
- É.
- Não tem hora que...
- Mas eu fui na reunião do PT e banquei, viu?
- Não tem hora que a gente briga.
- Pelo amor de Deus, eu só não acuso essa senhora do que ela não fez. Ela não mudou a posição dela.
- Outra coisa é o que o Congresso ia votar.
- Deixa eu falar, às vezes a gente não briga em casa com a mulher da gente, e saber por quê?
- Aí depois que a gente briga aqui, fica puto, toma dois whisky nervoso.
- A gente fica perguntando, por que eu briguei, caralho?
- Ah, mas concorda.
- Sabe?
- Então, ô Wagner, temos que apagar tudo isso, nós temos que...
- Então eu tô disposto, querido, se for pra ir amanhã, você me ajuda.
- Amanhã.
- Eu vejo agora o que eu tenho, desmarco o que eu tenho.
- Tá, então fica amanhã.
- Tá bom?
- Horário do almoço.
- Tá bom, querido.
- Tá bom, então.
- Valeu.
- Abraço, meu irmão.
- Tchau.
Processos citados neste documento 1
Números no padrão do CNJ detectados automaticamente no texto, conferidos pelos dígitos verificadores e consultados na API Pública do DataJud.